sábado, 7 de março de 2009

Desisto

Se ao menos os olhos se abrissem
Com estes mil socos
Que me dão
Mas não,
Se fecham
E sonham.
Se ao menos fosse doce
Como há algum tempo atrás...
Eu só precisaria de um afago
Seria triste da mesma forma
Mas seria terno.
Se ao menos eu quisesse esquecer
Mas vem como um vazio
E preenche tudo em mim.
Não tem mais nada que me faça querer
Não tem mais abraço nem beijo
Nada
E ainda quero
Como se querer bastasse
E porque ainda quero
Desisto
Para poder parar de querer.

Fuga


Se preciso fugir
pulo do prédio mais alto
a queda é maior
compensa a fuga
com a dor.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dói

Dói no corpo
como machucado
dói na alma
como morte
sobe seco
pelo pescoço
aperta
e dá um nó
Sangue ferve
raiva
esperança
espera
e não alcança
Amargo e quente
no gosto
e o cheiro doce
fica enjoado
prato frio
que se come calado
Na pele
a cicatriz que não sara
no mundo
tudo é inútil
mais tarde
essa dor
vira insulto
a culpa
fere
a inércia mata
é dor que dói
e não para
lateja
estoura
rasga.

Acho que agora posso chorar.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Flerte


O olhar do outro é sempre atraente
quando olha
o outro
a frente
rente
incomoda
provoca o ego.
Distraído
ele sente.
Os olhos falam,
são dois pará-raios
dos outros olhos
que olham.
Quando se percebe um olhar
reto
para o seu olhar
a alma inibe-se
depois se assume
como um pavão
tenta ser mais
e provoca
quando
permite a provocação,
é uma luta de egos
egos infláveis
pelo estímulo do outro olhar.
Olhos mentem
são dois atores
cheios de maquiagem
e sem nenhum talento
para interpretar.

terça-feira, 3 de março de 2009

O amor é egoísta

O amor é tão egoísta,
dentre tantas pessoas no mundo
escolhe apenas uma
para querer.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Película


Reconhecer a alma
pela máscara
a película fina que envolve
cada ser,
um profundo conhecimento
só é possível depois
do re-conhecimento
das formas que habitam
o corpo de cada um.
Cada ser
tem de ser
vários
para sobreviver
o que se há de ter
na vida.
E antes que se faça uma ferida
sobre a pele exposta
procurando cavar o verdadeiro
é necessário uma caricia
na pele que se vê
a primeira vista,
como reconhecimento
o tato
o primeiro sentido a reagir
dentre todos os sentidos
que usamos
para conhecer.

domingo, 1 de março de 2009

Quero

Canso de rimar com a solidão
canso de falar do tédio
canso de cantar o amor
estes termos todos já não cabem
o que busco agora é a felicidade
tranquila
como mãos amigas
e olhos ternos
como cheiro de pitanga
e gosto de hortelã.
Quero mais sorrisos necessários
e palavras doces
quero voar nos pensamentos
sempre avante
como um pássaro
livre
sem gaiolas
ou cadeados
quero pés
sem peso
pisar como plumas
este meu chão de vidro
quero paz
e doce de banana
quero abraço
dado por quem se dar
e beijos de lábios sensíveis
alegria
quero festa
e tudo o que me resta
e o que sobrar.