quarta-feira, 20 de maio de 2009

Melodia


Se eu pudesse fugir com essa melodia
Desaparecer pelo ar
Assim que o disco terminasse
E só voltar quando alguém sentisse
vontade de me escutar.
Silêncio
Não queria nem o som dos meus pensamentos
Queria ser uma melodia
Sem razão nenhuma para existir.
Puro sentimento
Puro silêncio
Que se pode escutar.

terça-feira, 12 de maio de 2009


Espero
Puxando a corda do tempo para trás,
Mas a corda se desgasta
À força faço um nó
Para não puxar o tempo
De novo para trás.
Com minhas mãos cínicas
E com a minha força burra
Paro o tempo,
Dou o nó
Esperando que ele seja
Cego.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dueto de uma nota só


Sussurrou a melodia
Exatamente o que pensava
Sentir...
Desses dias para cá
Só isso
Só.
Sentimentos não bastam
Para sentir
É preciso mais de um coração
O mesmo que compor uma melodia
Que de uma nota só não se faz.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Verdade


Ao menos um sorriso para disfarçar.
Noite sem sal
Parecia dia
Mas nem é tristeza,
Algo como uma rotina
Pôr rótulos em tudo
No silêncio
Na paz
No amor.
Me toquei por aquela canção
Mesmo que não fosse de verdade
O que é de verdade?
Hoje
Tem que ser algo que se possa tocar.
É tudo barato
Não dá para tocar a felicidade
Buscar entre os papéis
Para distrair
Verdade
É se distrair
Com a ilusão.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Filtro dos sonhos


De quê são feitos os sonhos?
Têm tons coloridos?
Gosto de chocolate?
E um cheiro de infância?
Meus sonhos ainda são tão pesados
Carregam desejos não realizados.
Fazia tempo que não sonhava
Você me deu um sonho
Foi rápido e leve
Nem precisou de utopias
Nem precisou de beijo
E chuva
Foi apenas um momento
Um flash
Um insight.
Quando fechasse os olhos
Eu vi o mundo
Estava calmo
E não precisava fugir
Nem correr
Fiquei parada
E vi nuvens azuis
Estrelas
E arco-íris.
Filtrasse meus sonhos
só para eu perceber
que eles podiam ser leves.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Caixinha


Se eu pudesse te colocar numa caixinha dessas
Em que guardamos lembranças
Te guardaria como uma flor
Despetalada e murcha
Como uma prova de que o amor morreu.
Mais ainda vives a pulsar suas cores
Mesmo assim se eu pudesse
Te guardaria
Como um livro que li e gostei
Te guardaria
Como um brinquedo de uma infância passada
Como uma foto de um grande amor que foi embora.
Te deixaria ali na caixinha

E somente retornaria a ver-te quando outro amor me dissesse não
Para recordar
Para lembrar do beijo e do encontro perdido no tempo
Que não volta mais,
Mas não és só lembrança
Eis pensamento vivo latejando em mim
Algo que nem o tempo com seu temperamento rude
Conseguiu te guardar.
Se ele fizesse este favor...
Não precisaria mais lembrar-te
Como um vicio
Ou obsessão do meu pensamento
Abriria a caixinha apenas quando eu quisesse
Apenas
para não esquecer.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Relicário


Só guardo de ti a parte mais bonita
Aquela que me toca
É assim quando gosto de alguém
E não és especial
De cada pessoa guardo o que é mais bonito
Pois não quero poluir o coração
Com a porção feia que me dão.
Que me chamem ingênua
Mas a doçura vale mais que o amargo
De lembranças sujas.
Assim ninguém será ruim
E todos podem valer
Um pouco.
Um abraço
Um sorriso
Um beijo
Uma palavra
Qualquer coisa que inspire uma poesia
Uma bela e ingênua poesia.