sexta-feira, 17 de julho de 2009

Girassóis


Tanto canto
pelo canto dos teus olhos
que estes olhos achei,
assim por acaso na rua coberta de gente.
Com tanta gente
a perseguir horários
me esbarrei na película fina entre o desejo e a razão
pulei nos teus olhos
e vi girassóis,
girando dentro da minha cabeça.
Com as mãos atentas
e as pernas bambas
quase que fugi,
mas fiquei ali
parada
correndo entre os girassóis.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Danço


É verdade que quero dançar
Já faz tempo que procuro o ritmo certo pra minha dança
Não importa o parceiro
Se suas mãos combinarem os passos com as minhas
Danço
E não importa o salão
Se houver luzes
E elas clarearem o que é importante
Danço
Com vestido ou não
Quero sentir a presença de existir
e a melodia também não importa
danço
até as pernas quererem parar
e as portas dos bares fecharem
e os instrumentos desafinarem
se o meu ritmo estiver em sincronia
eu danço
até ensurdecer este silêncio mudo
que me impede de dançar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sem saudade

Tua imagem se esvai
como um papel solto ao vento
lenta.
Procuro teu apertar de olhos
fechando os meus
e só acho as tuas pálpebras
embaçadas
como num sonho,
teus olhos fechados a sonhar
e os meus abertos a acordar
procurando o sonho perdido
entre a cama e a noite.
Não consigo mais te achar
te perdi
como um sonho bom acordado
e um pesadelo superado,
deixando os dias sem olheiras
e as noites insones.
Quantos rostos lembrei depois que te esqueci?
Quantos sorrisos me deram
mais chances de nunca mais te lembrar?
Te perdi
e já fazia tempo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pálida visão


Se a noite me trouxesse uma visão
Tão clara quanto a luz da lua
Sob o copo de cerveja nítido de amarelo,
Um deslocar de girassol
Girando para mim
Como um rosto amarelo de nitidez.
Nítido seria esse destino
E haveria paz nas casas, nas ruas e nos prédios.
Haveria uma escolha
E não haveria hipóteses.
Uma visão
Certa como a certeza que o sol tem de tomar o lugar da lua
Certa como a normalidade
A rotina das madrugadas,
Sem a angústia de decidir
Entre o vácuo e o vazio
Uma visão
Como quando dois pares de olhos acesos se encontram
Amarelados por algum desejo distraído
Amarelados de álcool e cevada
Amarelos
De uma palidez insossa
Que reflete em cada copo uma cor
Tomada com gosto por quem também procura
A mesma visão.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Solilóquio

Fluir...
Deixar o vento
(e)levar-se
Dentro de mim.
Cometer erros.
Enfim somos humanos,
Mas a humanidade precisa acertar.
Acerto o olho em direção às palavras
Se movem em seus significados
Movem-se ao lermos
Não há nada mais infinito que sentir
E o mundo lá fora
É só o mundo lá fora
Que mal há em estar só?
Tomo um livro
Tomo um café
Tomo conta da minha solidão
Há de sermos sozinhos
Para sermos melhores
Porque procurar distrações?
Não existe felicidade no tempo
Este tempo se consumindo com o:
não-ter-o-que-fazer-e-o-que-amar
Somos todos inúteis
Há tantas coisas mais simples de amar
Mas escolhemos as mais difíceis...
Escolhemos um ser qualquer no espaço
Sem querer
Só para o tempo não ser contado
Só para não existir o tédio
E o tédio existe sempre
É o tempo
Longe do relógio
Longe de mim e você.
Viver
Junto ao tédio
Existir é uma busca
Do que nunca se encontra.

Caro coração



Parece que neste coração cabem muitas reticências...
Solilóquios mudos
E grandes pontos de interrogação imersos sobre exclamações interrompidas.
“Inútil você resistir ou mesmo suicidar-se” diz o poeta na tela do computador,
E eu pensei em não falar sobre “eus”
Talvez refletir sobre algo mais importante
Talvez não falar de amor
Amor este que vai e volta
Basta abrir a porta
E dizer palavras doces.
Meu coração quer se entregar
Samba-canções adora ouvir
É burro feito mocinha de romance
E se você caso queira dar uma chance
É capaz de fazê-lo se apaixonar.
Talvez se outro coração quisesse se entender com o meu
Não seria mais trágico ouvir melodias
E nem seria triste o dia de São Valentim,
Talvez se o coração que meu coração tanto quer
Pudesse ouvi-lo
Diria que essas batidas não são em vão.
Será que ele diria?
Será que o meu ainda quer?
Será que lá fora o frio esquenta?
Apenas imagino...
E enquanto isso
Este coração continua só.



“Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe” (Caio F. Abreu).

terça-feira, 7 de julho de 2009

Uns olhos...

Seus olhos querem dizer algo
Duas perguntas que não consigo responder
Ha se eu descobrisse o que estes olhos dizem...
Faria pirâmides com os segredos desse teu olhar
Enviesados e desavisados
Não sabem que os meus só conseguem te ver
Talvez até desconfiem
Mas nunca dizem
E a tua risada infantil me deixa mais boba
És esfinge
E eu
Quero apenas te devorar.