domingo, 13 de março de 2011

O processo

Cortes de navalha, religiões, remédios e alucinógenos. Confusões na minha mente ao tentar entender a sua. Eu queria ser aguda, fria, dizer não com precisão. Nem ela que era louca, ficava insistindo, enquanto eu procuro as migalhas dos pães validos que me dão. Olho para a borboleta da tela do celular, vejo a hora, duas, três da madrugada e nada de você ligar. Será que não sente a mínima saudade? Como alguém pode ser resistente assim em termos de amor? Eu devo ter um desvio, um amor-próprio mínimo, nunca deveria ter desistido da análise, também na época eu ainda não sofria. As pessoas parecem que não tem responsabilidade sobre as outras, atiram-nas na parede, beijam e somem. Ela era visivelmente arrogante, de uma arrogância burra, mas nem beijava direito, nem esperava as coisas acontecerem, uma pressa de adolescente, eu tive que dizer pare, tive que ensiná-la a beijar, depois fui correndo com ela, e acabou como tudo começou. Rápido. Mas admiro como ela me olhou, quando eu nem sequer notava quem estava no lugar, me congelou com mil raios em seus olhos, uma metralhadora de cores noturnas. Eu andava meio assim, querendo achar alguém que fosse como eu, que gostasse de folk, rock e jazz. Que risse, e tivesse bom humor, que bebesse e achasse o máximo ser louco. Mas ela era louca de verdade. E eu mais louca acreditava na culpa que ela colocava sempre em suas fragilidades. Era uma tentativa de esquecer as minhas próprias fragilidades, e nisso até que me fez bem.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Não moro mais em mim

Teus sons nas canções
Tua estupidez na minha consciência
Teus olhos na tela
Teu sorriso nos meus ouvidos
Teu violão no meu quarto
Tua língua no meu sexo
Teus cabelos em minhas mãos
Teu dedo com meu anel
Tua boca no meu gosto
Teu pescoço nos meus dentes
Meu desejo longe do teu.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Difíceis nós

Tens o sorriso indeciso
E a calma de uma loucura que eu não sei lidar
Eu sigo com o milagre de quem quer viver
Sentindo a paixão latejar
Ouvindo músicas românticas para esquecer
Evito a burrice dos apaixonados
Desato as tuas mentiras
E amarro as minhas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

10/11/10

Eu não sei te guiar. Me dá tua língua que te entendo. Me deixa atravessar esse túnel onde você se esconde, escavar buracos, pular de alturas gigantes. Nenhuma palavra vai caber, nenhum símbolo vai suportar, a densidade do que não se pode descrever. Os humanos são ridículos, pendem em suas palavras, nunca sabem o que dizem. Decreto o fim dos discursos, não quero mais ter palavras para afirmar o que eu sei reconhecer com os dedos. Vamos nos trancar, em quartos escuros com drogas libidinosas, ouvir um blues etílico e excitante, catar pontas de desejos nas paredes. Gotas de chuva na luz do poste, e a calma de uma cena triste na tevê, tua voz forte que eu queria escutar, sua cantora preferida para me consolar.Porque a alma teima em lembrar do que foi bom. O frio noturno dessa cidade, a leveza da pintura de Malinowski. Tudo é mais bonito quando se é permitido amar. Me dissolvo como sal diante da tua pele, seus olhos da cor do infinito, um paraíso cheio de cores noturnas. Se tu tivesses calma como tem o teu sorriso, eu te falaria coisas bonitas, eu fecharia meus olhos mais vezes para ouvir tuas canções. Mas prefere a fúria, a loucura desenterrada do teu abismo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Recado

Para você que quis partir,

Abri as janelas para ver o sol entrar, este resquício de felicidade me traz calma, sinto que vem tudo de dentro de mim, todo sentimento é meu e não me importa se você não tenha sentido o mesmo, caminho por entre as frestas, os interstícios do silêncio desse sentimento. Ouço uma canção e planejo a felicidade, com sol e lua juntos, amor e tristeza em comunhão. A vida viaja. Vai teu caminho que eu te sigo em pensamento.

Dos meus sentimentos, sempre meus.
Beijos com calma.

sábado, 23 de outubro de 2010

Suposições

Suposições enquadradas em telas de computador, nas telas das tuas lentes, no labirinto da tua risada, no espaçamento do teu sorriso. Em quantos metros de distância iremos nos colocar para impedir de nos esbarrar? Quem evita o amor só pode ser um estúpido, o amor é sorte, e sorte que nem sempre se acha reciprocamente. Então te impeço de evitar e não me evito. Aperto os botões que nos rejeitam, apago os alertas que dizem para eu não sentir, escrevo poesias, ouço músicas românticas, fico deitada olhando para o teto a suspirar. Vou guardar tua foto no computador, vou olhar milhares de vezes para entender o que acho atraente em ti. E quando te encontrar meu coração vai querer dizer algo que a minha língua não terá como expressar, e talvez você note, e se isso acontecer talvez você tenha certeza, e em algum momento alguém vai querer derrubar estes muros com socos de fera, com coturnos de couro e rocks progressivos. Talvez a gente vá passear, compre um vinho e fume um, talvez a gente ria sem parar, e eu tropece na rua várias vezes por estar ao seu lado, talvez conversemos sobre cinema, sobre as mulheres nos filmes de Bergman, sobre literatura africana, e eu te fale dos meus ex- amores, e você das suas dúvidas, talvez você se encoste em mim com doçura e eu tire casquinha da situação, aí falaremos sobre comportamentos, faríamos piadas de humor negro, e brincaríamos com as gírias gays, faríamos propostas que nunca iam ser cumpridas, eu te falaria sobre signos, e sobre poesia, sobre gatos, música folk, sobre a cantora com a música que tem o seu nome, sobre bares, sentimentos, sobre...

sábado, 14 de agosto de 2010

01/05/10
Escrever um pouco do meu óbvio. Na janela havia alguém que entendia bem melhor de poesia, via coisas cristalinas pelas nuvens. Entender porque com indiferença se traz amor e com amor se traz indiferença. Tudo ao contrário. Entendo então que o mundo é mesmo um caos. E eu uma poeira. Leve, flutuante indo para algum lugar, sem saber para onde. Mas indo.