segunda-feira, 15 de novembro de 2010

10/11/10

Eu não sei te guiar. Me dá tua língua que te entendo. Me deixa atravessar esse túnel onde você se esconde, escavar buracos, pular de alturas gigantes. Nenhuma palavra vai caber, nenhum símbolo vai suportar, a densidade do que não se pode descrever. Os humanos são ridículos, pendem em suas palavras, nunca sabem o que dizem. Decreto o fim dos discursos, não quero mais ter palavras para afirmar o que eu sei reconhecer com os dedos. Vamos nos trancar, em quartos escuros com drogas libidinosas, ouvir um blues etílico e excitante, catar pontas de desejos nas paredes. Gotas de chuva na luz do poste, e a calma de uma cena triste na tevê, tua voz forte que eu queria escutar, sua cantora preferida para me consolar.Porque a alma teima em lembrar do que foi bom. O frio noturno dessa cidade, a leveza da pintura de Malinowski. Tudo é mais bonito quando se é permitido amar. Me dissolvo como sal diante da tua pele, seus olhos da cor do infinito, um paraíso cheio de cores noturnas. Se tu tivesses calma como tem o teu sorriso, eu te falaria coisas bonitas, eu fecharia meus olhos mais vezes para ouvir tuas canções. Mas prefere a fúria, a loucura desenterrada do teu abismo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Recado

Para você que quis partir,

Abri as janelas para ver o sol entrar, este resquício de felicidade me traz calma, sinto que vem tudo de dentro de mim, todo sentimento é meu e não me importa se você não tenha sentido o mesmo, caminho por entre as frestas, os interstícios do silêncio desse sentimento. Ouço uma canção e planejo a felicidade, com sol e lua juntos, amor e tristeza em comunhão. A vida viaja. Vai teu caminho que eu te sigo em pensamento.

Dos meus sentimentos, sempre meus.
Beijos com calma.

sábado, 23 de outubro de 2010

Suposições

Suposições enquadradas em telas de computador, nas telas das tuas lentes, no labirinto da tua risada, no espaçamento do teu sorriso. Em quantos metros de distância iremos nos colocar para impedir de nos esbarrar? Quem evita o amor só pode ser um estúpido, o amor é sorte, e sorte que nem sempre se acha reciprocamente. Então te impeço de evitar e não me evito. Aperto os botões que nos rejeitam, apago os alertas que dizem para eu não sentir, escrevo poesias, ouço músicas românticas, fico deitada olhando para o teto a suspirar. Vou guardar tua foto no computador, vou olhar milhares de vezes para entender o que acho atraente em ti. E quando te encontrar meu coração vai querer dizer algo que a minha língua não terá como expressar, e talvez você note, e se isso acontecer talvez você tenha certeza, e em algum momento alguém vai querer derrubar estes muros com socos de fera, com coturnos de couro e rocks progressivos. Talvez a gente vá passear, compre um vinho e fume um, talvez a gente ria sem parar, e eu tropece na rua várias vezes por estar ao seu lado, talvez conversemos sobre cinema, sobre as mulheres nos filmes de Bergman, sobre literatura africana, e eu te fale dos meus ex- amores, e você das suas dúvidas, talvez você se encoste em mim com doçura e eu tire casquinha da situação, aí falaremos sobre comportamentos, faríamos piadas de humor negro, e brincaríamos com as gírias gays, faríamos propostas que nunca iam ser cumpridas, eu te falaria sobre signos, e sobre poesia, sobre gatos, música folk, sobre a cantora com a música que tem o seu nome, sobre bares, sentimentos, sobre...

sábado, 14 de agosto de 2010

01/05/10
Escrever um pouco do meu óbvio. Na janela havia alguém que entendia bem melhor de poesia, via coisas cristalinas pelas nuvens. Entender porque com indiferença se traz amor e com amor se traz indiferença. Tudo ao contrário. Entendo então que o mundo é mesmo um caos. E eu uma poeira. Leve, flutuante indo para algum lugar, sem saber para onde. Mas indo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Silêncio

A vida parou ou anda depressa demais? Janelas passam diante das paisagens, letras formam palavras, e palavras voam em meus pensamentos, voam alto, minha língua não consegue alcança-las e fico assim sustenida, surda, muda, calada. Tento acordar os dedos e perguntar a eles sobre a vida, eles não dizem nada, teclam, teclam, e não dizem nada. Palavras, meras companheiras de bebida, meras companheiras de noites solitárias, namoradas frias e taciturnas, mulheres adulteras. Ficam de mau-humor e vão embora, brigam, traem e voltam sem dizer nada. Essas palavras mal-humoradas vivem cheias de rancor por mim, como se eu fosse um cafageste que as tivesse trocado por uma linguagem oral e empírica. Vivo sim, mas não mais freneticamente nas palavras, que saudades eu sinto delas, minhas doces companheiras, inteligentes e tantas vezes bem mais compreensivas que as ditas cujas que me dizem por aí. Voltem, por favor, voltem, me façam feliz, me deixem escrever. Prometo ter mais responsabilidade, prometo dar mais atenção, e religiosamente exercitar. Enlouquecer minha língua em tua língua, esparramar meus olhos em teus códigos, e ouvir minha voz a te declamar.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Poucas palavras

Apenas luzes de postes iluminam
O último resquício de felicidade
Seu sorriso era grande demais para ser verdade
E o tempo ficou gris antes da chuva
Palavras escondidas entre os seus dentes
Duas cores espalhadas no seu olhar
Vi tudo turvo
E a chuva finalmente caiu
Antes que as lágrimas insistissem
Lembrei da noite morna de esperança
Tua voz completa de alguma insegurança
Me fez falar
Mas as palavras são meras responsáveis
Pra esse silêncio que eu nunca quis escutar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Flores, amores, chapéus, poetas e poesia.


Flores murcham no chapéu que deixaste
Sobre a mesa na companhia do gole
De cerveja
Espera imediata de se esquecer o que restou
Avesso
Meu silêncio relembra tua imagem
E canta
Dois poetas na rua marchando
Com a lua quente que desaba
Em fim.
E assim acenaste
Ao longe
Sem beijo
De despedida